Amor não é barganha. Você não liga só porque ela ligou, você não vai até ele só porque da última vez foi o contrário, você não espera para dizer que gosta só pra não parecer vulnerável. Você faz o que seu coração tem vontade, única e exclusivamente, porque assim você deseja. E só. A gente não pode fazer muita coisa pela reciprocidade do outro, mas pela nossa a gente pode e deve sim, fazer tudo que traz paz para o nosso coração. Se todo mundo soubesse o tempo de carinho, cuidado e afeto que se perde barganhando minúcias dentro de um relacionamento as pessoas abraçariam mais o livre arbítrio e arcariam de mente aberta e essência tranquila, com as consequências de suas próprias escolhas. Se não está disposto a correr riscos não desafie o outro para jogar. A gente pode cair sim, se machucar sim, literalmente ganhar um tapa na cara do universo sim, cada vez que resolve alimentar um sentimento abstrato como o amor. Mas mergulhar pela metade numa jornada que te pede inteira, só gera frustração e carência.
Amor é um ato de fé. Ou você doa de graça, de bom grado, de coração e alma lavados para o outro ou, com o perdão da palavra, você não tem merecimento para viver o sentimento de forma plena. Claro que tudo que a gente precisa de uma pessoa que nosso coração escolheu se apaixonar é o mínimo de retorno. Mas não dá pra barganhar uma troca. A gente abre portas e janelas na esperança de que o outro venha com as flores e as cortinas. Se vier ótimo, deixe os passarinhos entrarem. Se não vier, isso não deve ser motivo para não decorar sua morada. Feliz é quem aceita que o amor começa dentro da gente. Sem criar expectativas, sem cobrar desnecessariamente, sem fazer “mimimi” por um mero ponto equivocado dentro de um parágrafo recheado de pequenas delicadezas.
A melhor metade do amor a gente demonstra justamente na hora que “falha” a reciprocidade do outro. Se ele estiver muito cansado para sair vá até ele, se ela estiver indisposta em fazer o jantar tome as rédeas e peça um sanduíche, se ele não te ligou depois do primeiro encontro honre seu poder de escolha, sua autossuficiência e seu batom vermelho escarlate e faça o contato. Discernimento para diferenciar indiferença de descuido. Coragem para guardar o ego, o apego e aquela vontade tentadora de “chegar em primeiro lugar”, em um cantinho bem escondido da nossa alma. E muita fé, para acreditar que onde a gente deposita nossa vivência alguém transformará nossa prece em disponibilidade, respeito e merecimento. Assim seja.
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